quarta-feira, 6 de julho de 2011

As disparidades


Uma manhã na cidade

Nas primeiras horas da manhã percorro o percurso que me leva até à faculdade. Naqueles instantes passam outras vidas por mim, outras histórias....
Pessoas a correr para os transportes públicos e pessoas a correr por desporto, fones nos ouvidos perdidas no seu mundo.
A mãe aperta o casaco do filho, posiciona-lhe a mochila e dá-lhe um beijo de despedida deixando-o na escola.
Os comerciantes abrem as suas lojas e esperam que estas vão sendo preenchidas pelos primeiros clientes do dia.
Os cafés servem os pequenos-almoços àqueles que optaram por não o tomar em casa.
Homens de fato e gravata passam por mim a caminho do seu trabalho.

Mas não é aqui que se passa a vida, é mais em baixo. Onde o cimento se confunde com o cartão. Onde há quem faça do chão a sua casa. Aí vive-se, luta-se para viver. As mãos esticam-se pedindo ajuda a quem passa lá em cima, lidando com o facto de que há quem prefira fingir que não existem. Que por mais alto que se grite a voz não é forte o suficiente para se fazer ouvir.

Pelo vidro do autocarro em andamento vejo a senhora idosa no chão. As rugas marcam-lhe o semblante triste. Uns metros mais à frente surge outro. E há os que imploram ajuda por amor de deus.

O autocarro segue o seu caminho e tudo à volta se vai tornando num borrão. A vida continua e eles vão continuando por lá, dia após dia, cada vez mais...

terça-feira, 5 de julho de 2011

As provas de amor ao longo do tempo

Na idade média



Amas-me?
Lógico que sim...
Então prova! Mata um dragão, 4 ursos e uma baleia!







No século XX



Amas-me?
Lógico que sim...
Então prova! Pede a minha mão em casamento ao meu pai.






No século XXI

O síndrome do patinho feio


Era uma vez uma rapariga...
Há muitos muitos anos a "Cátia Vanessa" entrou na minha vida. Estavamos na primária, brincavamos juntas no recreio e chegou a sentar-se ao meu lado nas aulas. Não éramos as melhores amigas mas até nos davamos bem. O que a minha mente inocente de criança não reparou foi em pequenos sinais que passaram despercebidos na altura.

Veio o básico e a rapariguinha da primária desvaneceu-se. Esta Cátia Vanessa agora era bonita e popular, conhecem o estilo. Despertava atenção nos rapazes. Grande e com um corpo desenvolvido para a idade conseguia intimidar as outras pessoas usando a base da força. Tinha a perfeita noção disso e fazia-o. Quase todos a temiam. Acho que é aquilo a que hoje em dia chamam bullying.

Há um episódio em particular que me ficou retido na memória. No dia de aniversário de uma amiga minha ofereceram-lhe uns brincos azuis enormes, pouco atractivos, e ela andava com eles. A Cátia Vanessa não podia deixar passar a situação em branco e exigiu que todos começassem a tratar a minha amiga pelo nome de "paneleira dos brincos azuis". Não o fiz. Isto não a agradou então tive direito àquilo a que se pode chamar uma sessão de persuasão. Agarrou-me e encostou-me às redes. Não me largava enquanto não a começasse a tratar assim. Não o fiz. Acabou por desistir e eu pude ir ter com a minha amiga que estava num canto a chorar. A memória fica por aqui.

Ela estava em vantagem e nós éramos os patinhos feios porque nos sentíamos inferiores, não éramos os mais populares. Não conseguíamos perceber que por mais forte que ela fosse nós juntos éramos mais. Isso permitiu-lhe pensar que podia fazer o que queria e que só a opinião dela é que contava.

O que ela não sabia é que não há um final feliz para quem goza com o patinho feio. Que aquele pato não era feio, era diferente. Lá dentro estava um belo ganso o tempo todo. E isso é o que importa. O nosso interior dita quem somos, as nossas atitudes e escolhas definem-nos. Dentro dela havia escuridão e maldade.

Passados estes anos todos tenho-a visto. Hoje voltei a vê-la. A sua estrutura forte deu lugar a quilos e quilos de gordura. Não a cumprimento. Nem ela o faz a mim. Espero que depois de tanto tempo tenha mudado e aprendido a moral da história.

Muita gente já teve uma Cátia Vanessa na sua vida. Não o tolerem. Unam-se e sejam mais fortes. Ninguém é melhor que vocês. As vossas opiniões são tão válidas quanto as de qualquer pessoa, façam-se ouvir. Sejam fiéis às vossas convicções, respeitem os outros e vão ver que têm o vosso:

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sou só eu?



Estou há uma hora a tentar ler 5 páginas... Definitivamente já não funciono em condições a estas horas. Vou tentar subornar o cérebro que ainda quero rever tudo num instante.
Estado de espírito:

Incertezas

Eu quero que saiam as notas...
Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...Eu quero que saiam as notas...

(Não estou maluca! É um apelo desesperado para que os professores se decidam a publicá-las. Já fiz um exame há duas semanas e ainda nem sei se passei ou não. Daqui a pouco chega o dia do recurso e não faço ideia se preciso estudar. É desesperante!)

sábado, 2 de julho de 2011

Eu e tu

Logo à noite temos encontro marcado. Quero matar as saudades... Já nem me lembro da última vez que te provei. Logo eu que gosto tanto de ti.

Mais alguém é fã? Quais são as vossas bebidas preferidas? Contem-me tudo! Pode ser que descubra alguma maravilha que me anda a escapar... :)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

No meu tempo

Este post da Sofia fez-me pensar sobre muita coisa que aconteceu no Ensino Básico. Foram uns bons 5 anos da minha vida. Sei que isto vai soar completamente clichê mas parece que ainda foi ontem que estava ali à frente a ter um ataque de nervos por entrar para o 5ºano.

Foi nesse ano que conheci uma das minhas melhores amigas, que começou por me detestar e achar-me arrogante. Depois lá se rendeu ao meu charme e ficamos inseparáveis (adoro-te). Foi lá que fiz e consolidei amizades para a vida.

Tenho saudades dos momentos bons, dos menos bons e dos caricatos...
Daquele abraço!
Do nosso cantinho secreto. Era para onde íamos quando queríamos ter uma conversa séria ou sonhar com a vida.
Do galinheiro, onde morava o Tito\Tita. Ganso que para mim terá sempre sexo indeterminado.

Da C. querer fazer queixa no conselho executivo por eu ter apanhado uma anilha do chão que ela viu primeiro (andavamos a precisar recolher para EVT).
De me recusar peremptoriamente a filmar para a RTP2 os beijos da S. com o namorado. E elas escondidas atrás dos arbustos a espreitar.

Da M. fazer queixa de mim e da C. à directora de turma em frente da turma toda por termos insinuado que tinha uma relação libidinosa com um elefante (ela é que disse que se casava com um, a culpa não foi toda nossa); e de fazer queixa que a M.J. lhe tinha roubado os "marcadores especiais".

De quando eu deixei a minha faceta introvertida de lado e preguei um estalo ao B. por andar a gozar comigo. E de como ele foi a chorar ter com o irmão a pedir protecção...
De como a C. me pregou um estalo do nada passado uns dias de lhe ter dito que ela era tão boa pessoa que não tinha coragem de bater em ninguém. Falei antes do tempo.

Das secas constantes da M. que até deram para fazer um livro.
Da Dona C. a lavar os resíduos sólidos do chão da entrada perto da portaria depois do B. ter confundido aquilo com uma casa de banho (momento mais nojento da minha vida porque tive que ir embora no mesmo autocarro que ele).

Da casa das gomas, a minha perdição de sexta-feira.
Da competição para ver quem tinha mais assinaturas do salão de estudo. Não ganhei. Mas houve quem se tivesse aplicado tanto que teve que pedir mais folhas ao director de turma...

Da C.A. entrar em pânico depois de um momento caricato (que me recuso a dizer o que se passou dado que o teor pode chocar pessoas mais sensíveis) por ter medo que a mãe lhe fosse cheirar as calças...

E por último a nossa viagem de finalistas, uns 3 ou 4 dias completamente doidos em que nem parecíamos nós. Sempre tão atinadas ouvimos sermão das professoras todas as noites.
O episódio dessa altura que me vai ficar sempre na memória: à noite no hotel. A M. e a S. a dormirem na cama da sala. Eu e a C. no quarto.

Pegamos em papel higiénico, ensopamos em creme e metemos na cara da M. Corremos para o quarto. Silêncio. Abrimos a porta e tava tudo espalhado pelo chão e elas a dormir.

Tentamos uma outra abordagem com pasta dos dentes e fechamo-nos de novo. Silêncio. Abrimos a porta devagar e demos de cara com uma M. possuída, coberta de pasta dos dentes. Com as mãos no alto todas sujas a tentar tocar-nos. A C. correu pelo quarto aos gritos como se fosse o fim do mundo em cuecas.

Acordamos o andar, as professoras que estavam a dormir no fundo do corredor tentavam entrar no nosso quarto sem conseguir porque a porta estava trancada. Lá abrimos e ouvimos o raspanete da nossa vida. Tivemos que entregar a chave do quarto. (Lembram-se de uma personagem chamada S. estar a dormir com a M. na sala certo?).

No dia seguinte, ao pequeno-almoço, a professora vem ter connosco e vira-se para a S. :
-Estou muito desiludida. Não esperava aquilo de vocês, sempre tão bem comportadas.
S. completamente baralhada sem perceber nada.
-O quê? Que se passou??
Lá a pusemos ao corrente da situação e a professora chegou à conclusão que a S. afinal era o monte de roupa em cima da cama... Se há alguém que pode dizer que tem sono pesado esse alguém é ela!


E há tantas outras coisas que podem já ter acontecido há muitos anos mas que vão ter sempre um lugar especial na memória e no coração.
É bom recordar.

Decisões














A nossa vida segue um rumo. Nós vamo-nos mantendo um tanto ao quanto inconscientes desse facto. Sem nos apercebermos puxamos as linhas ao fantoche em que acaba por se tornar o futuro. No fundo não interessa quais foram as nossas escolhas. Certas ou erradas trouxeram-nos até aqui. O agora é que importa porque é ele que vai definir quem vamos ser amanhã.

Esse agora não é fácil. Há tantos caminhos que podemos percorrer que se fica sem saber o que fazer quando se chega a uma encruzilhada. Sigo em frente ou recuo? Às vezes abrir a porta e sair é o melhor. Voltar para trás não tem que ser negativo, pode ser somente a preparação que necessitamos para dar o passo em frente. E neste momento, umas horas depois, soube que tomei a decisão certa.

Isto só a mim

Querem um conselho? Afastem-se dos rebuçados de café! Comi uma data deles e agora não tenho ponta de sono...

Constatações derivadas da falta de sono: a porta do meu quarto assusta-me! Sempre que alguém está a tomar banho ela começa a bater (faz toc toc toc toc toc). Está fechada. Deve ter problemas com a higienização alheia. E lá está ela...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre as demonstrações de carinho...

... em público.

Aqui a menina não tem nada contra as pessoas expressarem o seu amor. É bonito ver casais apaixonados, de todas as idades, de mãos dadas. Ou até mesmo a beijarem-se porque não.


Agora vamos fazer um pequeno exercício mental. Substituam estes dois da foto ali de cima por um casal com uns 40 anos. Vocês estão sentados naqueles bancos de 4 do metro. Ao vosso lado está uma rapariga a dormir contra a janela. Em frente estão eles os dois.

A mulher tem o casaco pousado sobre as pernas, só deixando metade das coxas até aos joelhos à vista. Estão cada vez mais próximos, trocam sorrisos e olhares lascivos. Nisto a mão dele desaparece por baixo do casaco. E tendo em conta que nunca mais lhe vi a mão ela deve-se ter perdido para regiões mais a norte dos joelhos. Depois começaram uma conversa em sussurros sobre o estado do senhor. Não deu para perceber grande coisa felizmente. E se eu dispensava isto? Sim dispensava. Há que ter noção dos limites. Ali definitivamente não era o local.

Se eu já fico chocada com isto o que dizer do que aconteceu a uma amiga minha. Ela e uma colega sozinhas no metro quase vazio, manhã cedo. Senhor de meia idade no banco do lado. Passam num túnel e pelo reflexo reparam que ele está muito entretido consigo mesmo. -.-

Eu acho que é do metro, faz as hormonas entrarem em ebulição. Só pode.