Este post da
Sofia fez-me pensar sobre muita coisa que aconteceu no Ensino Básico. Foram uns bons 5 anos da minha vida. Sei que isto vai soar completamente clichê mas parece que ainda foi ontem que estava ali à frente a ter um ataque de nervos por entrar para o 5ºano.
Foi nesse ano que conheci uma das minhas melhores amigas, que começou por me detestar e achar-me arrogante. Depois lá se rendeu ao meu charme e ficamos inseparáveis (adoro-te). Foi lá que fiz e consolidei amizades para a vida.
Tenho saudades dos momentos bons, dos menos bons e dos caricatos...
Daquele abraço!

Do nosso cantinho secreto. Era para onde íamos quando queríamos ter uma conversa séria ou sonhar com a vida.
Do galinheiro, onde morava o Tito\Tita. Ganso que para mim terá sempre sexo indeterminado.
Da C. querer fazer queixa no conselho executivo por eu ter apanhado uma anilha do chão que ela viu primeiro (andavamos a precisar recolher para EVT).
De me recusar peremptoriamente a filmar para a RTP2 os beijos da S. com o namorado. E elas escondidas atrás dos arbustos a espreitar.
Da M. fazer queixa de mim e da C. à directora de turma em frente da turma toda por termos insinuado que tinha uma relação libidinosa com um elefante (ela é que disse que se casava com um, a culpa não foi toda nossa); e de fazer queixa que a M.J. lhe tinha roubado os "marcadores especiais".
De quando eu deixei a minha faceta introvertida de lado e preguei um estalo ao B. por andar a gozar comigo. E de como ele foi a chorar ter com o irmão a pedir protecção...
De como a C. me pregou um estalo do nada passado uns dias de lhe ter dito que ela era tão boa pessoa que não tinha coragem de bater em ninguém. Falei antes do tempo.
Das secas constantes da M. que até deram para fazer um livro.
Da Dona C. a lavar os resíduos sólidos do chão da entrada perto da portaria depois do B. ter confundido aquilo com uma casa de banho (momento mais nojento da minha vida porque tive que ir embora no mesmo autocarro que ele).
Da casa das gomas, a minha perdição de sexta-feira.
Da competição para ver quem tinha mais assinaturas do salão de estudo. Não ganhei. Mas houve quem se tivesse aplicado tanto que teve que pedir mais folhas ao director de turma...
Da C.A. entrar em pânico depois de um momento caricato (que me recuso a dizer o que se passou dado que o teor pode chocar pessoas mais sensíveis) por ter medo que a mãe lhe fosse cheirar as calças...

E por último a nossa viagem de finalistas, uns 3 ou 4 dias completamente doidos em que nem parecíamos nós. Sempre tão atinadas ouvimos sermão das professoras todas as noites.
O episódio dessa altura que me vai ficar sempre na memória: à noite no hotel. A M. e a S. a dormirem na cama da sala. Eu e a C. no quarto.
Pegamos em papel higiénico, ensopamos em creme e metemos na cara da M. Corremos para o quarto. Silêncio. Abrimos a porta e tava tudo espalhado pelo chão e elas a dormir.
Tentamos uma outra abordagem com pasta dos dentes e fechamo-nos de novo. Silêncio. Abrimos a porta devagar e demos de cara com uma M. possuída, coberta de pasta dos dentes. Com as mãos no alto todas sujas a tentar tocar-nos. A C. correu pelo quarto aos gritos como se fosse o fim do mundo em cuecas.
Acordamos o andar, as professoras que estavam a dormir no fundo do corredor tentavam entrar no nosso quarto sem conseguir porque a porta estava trancada. Lá abrimos e ouvimos o raspanete da nossa vida. Tivemos que entregar a chave do quarto. (Lembram-se de uma personagem chamada S. estar a dormir com a M. na sala certo?).
No dia seguinte, ao pequeno-almoço, a professora vem ter connosco e vira-se para a S. :
-Estou muito desiludida. Não esperava aquilo de vocês, sempre tão bem comportadas.
S. completamente baralhada sem perceber nada.
-O quê? Que se passou??
Lá a pusemos ao corrente da situação e a professora chegou à conclusão que a S. afinal era o monte de roupa em cima da cama... Se há alguém que pode dizer que tem sono pesado esse alguém é ela!
E há tantas outras coisas que podem já ter acontecido há muitos anos mas que vão ter sempre um lugar especial na memória e no coração.
É bom recordar.