Chris Martin querido, os maridos servem para nos avisar destas coisas!
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A cara que o Chris fez quando viu a toilette da Mrs.Martin |
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A cara que o Chris fez quando viu a toilette da Mrs.Martin |
O vento sopra forte nesta tarde de Outubro. Leva consigo as folhas que vão caindo das árvores da avenida e as que se amontoam no chão. O sol começa a espreitar tímido por entre as nuvens negras que cobrem o céu. Estas são fruto da tempestade que se fez sentir durante a maior parte do dia. Num parque ao fundo a vida parece decorrer em câmara lenta contrastando com o corrupio de transeuntes e viaturas. As crianças desafiam a gravidade nos seus baloiços indo o mais alto que lhes é permitido. Num banco mais afastado uma senhora de longos cabelos dourados concentra-se na leitura de um livro.
Um homem segue por entre as pessoas tentando abrir caminho para chegar à velha loja de antiguidades que lhe fora altamente recomendada. Prepara-se para abrir a porta de madeira envidraçada e é então que nota no reflexo o pequeno oásis verde. Um calafrio percorre-lhe o corpo e é impelido a virar-se. Vê-a. “É ela. Impossível. Mas será que…” Desiste de entrar na loja e segue por uma vez na vida o que o coração lhe diz.
- Mãe, mãe! Partiu. – grita um menino enquanto corre com um carrinho nas mãos.
A senhora de cabelos dourados levanta o olhar do seu livro e dirige-se ternamente à criança:
- Não te preocupes querido, arranjamos quando chegarmos a casa. – diz com um sorriso doce nos lábios.
Vê alguém aproximar-se e o sorriso vai desaparecendo e dando lugar a um misto de sentimentos. Choque, aflição, amor e saudade enredam-se numa teia complexa e incapaz de se desfazer. O que fazer? Fugir não é uma opção, está cansada de fugir. Ele ia descobrir, não adianta adiar o inevitável. Intrigas e desconfianças colocaram-nos nesta situação, agora só dependia dela provar a sua inocência.
O homem já se encontra quase a chegar ao seu destino. “Ela está mesmo aqui, tão perto… Tão perto que consigo sentir a adorável fragrância que emana. É agora.” Apercebe-se da presença do menino. Uma estranha sensação apodera-se dele. É como se estivesse em frente a um espelho. Os mesmos olhos, o mesmo cabelo, o mesmo sorriso travesso… Desvia o olhar para a mulher. Os olhos encontram-se travando uma batalha muda que passa imperceptível ao resto do mundo. Um sussurro abandona a boca dela:
-Pedro…
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Paul Newman - já não se fazem homens destes |
Este assunto fez-me pensar sobre as diferenças nas relações ao longo dos anos e nos nossos sonhos de infância. Quem é que já não sonhou com o príncipe encantado e o belo do seu cavalo branco?
É claro que depois crescemos e apercebemo-nos que não existe nem pai natal, nem coelhinho da Páscoa e muito menos a fada dos dentes. E quanto ao príncipe encantado? Esse eu continuo a acreditar que existe. Um príncipe sem título nobiliárquico que não vem acompanhado por um mamífero de quatro patas. Apenas uma pessoa, como eu e tu, que é simplesmente perfeita para nós. Um sapato à nossa medida, tal como a Sari me ensinou…
Antigamente as pessoas namoravam à porta de casa, tudo muito recatado e platónico. De vez em quando lá conseguiam escapulir-se e ter um pouco mais de liberdade. Hoje em dia isto já não funciona assim. É o século da revolução informática em que todos estão apenas à distância de um clique e é possível conhecer pessoas que estejam até mesmo do outro lado do mundo.
Ainda sobre relações, ouvi isto há uns tempos durante uma viagem de metro (que são uma fonte inesgotável de conversas caricatas!):
-Rapaz 1: Amanhã vou comer a minha melhor amiga…
-Rapaz 2: Eu vou comer a Maria.
-Rapaz 3 indignado: Hei! Essa é para mim!
- Rapaz 2 muito relaxado: Calma pah…Depois trocamos…
Diz como quem troca um par de cromos repetidos. Mas eu tenho esperança que nem todos são assim. E meninas, há rapazinhos decentes por aí! Daqueles que nos tiram o ar, o sono e nos deixam o coração aos pulos. :)
Bom resto de fim de semana ;)